terça-feira, 9 de agosto de 2011

UMA NOVA MANEIRA DE LIDAR COM CRIANÇAS





ENCOTRO DE FORMAÇÃO NA REDE EDUCATIVA DE PINTADAS COM A EXPEREINCIA DE REGGIO CHILDREN

Pe Paolo Cugini
Segunda feira 8 de agosto foi para Pintadas um dia muito importante. Dois profissionais de Reggio Children – uma entidade internacional com sede em Reggio Emilia (a cidade de pe Paolo) que há décadas trabalha com a educação de crianças de 0-6 anos – se fizeram presentes no novo auditório da colégio Normal para partilhar com os professores e diretores da rede educacional de Pintadas uma experiência que está dando certo. Este encontro de formação é fruto do incansável trabalho de pesquisa e projetação da pedagogista Iamara, que há tempo vem se destacando pela competência e pelo desejo de ver as coisas acontecerem. È assim, algo que podia parecer impensável se tornou realidade.  A cidade italiana de Reggio Emilia, aonde nasceu esta experiência, tornou-se conhecida em todo o mundo pela qualidade da educação que oferece às suas crianças pequenas. As instituições de educação infantil da cidade caracterizam-se pela inovação teórica, experimentação, documentação, formação contínua de seus profissionais e intensa participação da família e da comunidade na gestão da escola.

Na creche e na escola da infância de Reggio Emilia, o preparo de contextos de brincadeiras e de experiência assume importância particular e é responsabilidade pedagógica do professor. O percurso educativo entrelaça todos os momentos do dia, remete a situações de brincadeiras, de diálogo entre crianças e adultos, crianças entre si e adultos entre si. É isso que Deanna Margini chamou de pedagogia da relação. Nas escolas da infância é necessário criar espaços para que as crianças possam conversar entre elas enquanto andam construindo e criando.  É uma visão sistêmica, nunca previsível e repetitiva, que não pressupõe aulas por parte do professor. Os meninos e as meninas têm, de fato, o direito a um lugar educativo pensado para eles, onde possam se arriscar, escolher como se exprimir, ser ouvidos e ouvir, experimentar diversas linguagens e conteúdos, assumir posturas investigativas, experimentar situações de grupo grande e pequeno. Os professores estão comprometidos em valorizar os processos de conhecimento das crianças e procuram tornar visível e, portanto, compreensível, as diversas estratégias cognitivas que as crianças adotam e os diferentes percursos que realizam. Pedagogia da relação, então, que encontra um momento privilegiado na assembléia que as crianças realizam todos os dias juntos com a equipe que trabalha com eles. E aqui entra uma característica do projeto pedagógico de Reggio Children elaborado pelo pedagogista Loris Malaguzzi, que chamou muito atenção dos profissionais presentes no auditório. De fato, na equipe que nas escolas da infância de Reggio Emilia não fazem parte somente a professora e a pedagogista, mas também a cozinheira e a faxineira. “Na maneira de cozinhar e de limpar os espaços escolares – aprofundou a pedagogista Deanna -  são lançadas mensagens educativas importantes. Por isso faxineiras e cozinheiras são envolvidas no projeto pedagógico”. A pedagogia da relação é interligada com a pedagogia da acolhida. Pela manhã as crianças são acompanhadas pelos pais que juntos entram na escola infantil, no centro da praça escolar, que caracteriza todas as escolas infantis de Reggio Emilia. E ali, neste contexto acolhedor, os pais podem entrar em contato com os trabalhos realizados pelos filhos, oferecer sugestões e partilhar ideias.

Nas escolas da infância de Reggio Emilia figura de grande importância é o atelierista. O ateliê, antes de tudo, é uma metáfora da idéia de escola entendida como grande laboratório, oficina das idéias e de práticas educativas, que acolhe e amplifica as abordagens e os olhares criativos de adultos e crianças. Outra metáfora é a das cem linguagens, entendendo por linguagens todas as formas cognitivas e expressivas que são oferecidas às crianças; são linguagens possíveis no seu processo de crescimento individual e de grupo (a linguagem verbal, gráfica, musical, poético-metafórica, do corpo etc.).  Um atelierista não é um especialista em arte, mas um conhecedor de comunicação visual. Não ensina técnicas artísticas, mas utiliza a mídia de comunicação visual como suporte e estrutura lingüística para as pesquisas das crianças. A escola é entendida como um lugar de troca de culturas. “Acreditamos – salientou o atelierista Lanfranco Bassi -  que é mais frutífero e enriquecedor que as diversas competências em jogo (pedagógicas, artístico-visuais) entrem em diálogo complexo feito de mediações de diversos pontos de vista”. Deste jogo, que é estratégia didática e de projeto, participam adultos e crianças. Por isso, o atelierista, concretamente, cuida da dimensão estética e cultural dos projetos e do ambiente, realiza uma gestão criativa dos projetos didáticos, por meio do estímulo no plano expressivo e cognitivo, cuida da documentação e da interpretação dos processos cognitivos das crianças junto com professores e pedagogista, participa e planeja a organização de exposições, de laboratórios de expressão com crianças e, às vezes, com os pais; e colabora com outros colegas em projetos que se relacionem, por exemplo, com diversas experiências da e na cidade. Daí se deduz que não é uma função que pode ser facilmente definida com conjunto de atribuições rígidas. Pelo contrário, é uma função extremamente flexível e é essa flexibilidade que a torna única e importante.

 Não se trata de transferir um modelo pedagógico para a nossa realidade. Interessante também entender que as teorias pedagógicas de Loris Malaguzzi, que nasceram no campo da experiência concreta de um contexto social e histórico, foram acompanhadas por toda uma sociedade. A mesma prefeitura de Reggio Emilia investe pesado em cima deste projeto. O 15% do PIB da cidade é destinado pela educação infantil de crianças de 0-6 anos. Atrás disso tem a intuição que adultos sadios devem ter uma historia infantil sadia. Uma cidade que se interessa pelas próprias crianças não está perdendo tempo e dinheiro, mas está levando a serio o próprio presente e futuro. Uma experiência tão complexa e articulada como esta nos questiona bastante e, ao mesmo tempo, nos estimula a planejar sempre melhor a educação da nossa cidade. A formação de competências educativas acontece também se colocando na escuta de teorias e experiências que deram certo. Este foi o sentido desta segunda feira. Cabe agora aos professores, coordenadores e diretoras fazer tesouros daquilo que saiu no encontro para avaliar o próprio especifico percurso educativo.

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